Empresas ampliam autoatendimento e comerciário analisa prejuízos

A implantação de novas tecnologias no comércio segue forte, especialmente nas grandes empresas. Presidente da Federação dos Comerciários da Bahia (FEC-BA) e diretor do Sindicato dos Comerciários de Itabuna, Jairo Araújo avalia impactos para trabalhadores e clientes. “Em tese, novas tecnologias surgem para melhorar a vida em sociedade. No entanto, as empresas buscam, em primeiro plano, reduzir seus custos”, pondera.

 

Segundo Araújo, as organizações passaram por diversas reestruturações, sempre causando a redução do quadro de funcionários. “As consequências são a perda de milhares de empregos e o acúmulo de função para os que ficam, sem falar na questão da terceirização. Essa dura realidade tem levado a um desgaste mental e físico dos trabalhadores. A exploração é brutal e desumana. E os consumidores, são cada vez clientes e, ao mesmo tempo, ‘trabalhadores gratuitos’ para essas empresas”, destaca.

TECNOLOGIA x EMPREGOS

O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publicou artigo da Revista Ciências do Trabalho, cujo tema é “Mercado de Trabalho: Novos Olhares” e 4ª Revolução Industrial” era tema principal dos debates.

As discussões apresentaram preocupação com os efeitos negativos da introdução crescente das novas tecnologias de informação e comunicação no mercado de trabalho, como o aumento do desemprego e da informalidade, atingindo, principalmente, a força de trabalho de qualificação média.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) resgatou um levantamento da plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq). Nele, pesquisadores que atuaram em projetos de automação classificaram as ocupações brasileiras segundo a sua probabilidade de automação.

Eles concluíram que o número de empregados formais com alta e muito alta probabilidade de automação em 2017 foi igual a 24.970.587, representando 54,45% de uma população de 45.859.149. Em 2018, os maiores percentuais de ocupações com muito alto risco de automação e digitalização foram: trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, etc (99,1%); Apoio administrativo (87,5%); e, Serviços, vendedores dos comércios e mercados (59,1%).

CAMINHOS

Diante deste cenário, Jairo Araújo aponta caminhos para minimizar os efeitos negativos dessas mudanças no mercado de trabalho. “Não é possível que a implantação de novas tecnologias seja feita unilateralmente pelas empresas. Trabalhadores, sindicatos, universidades e poder público precisam atuar para evitar problemas na sociedade”, pondera.

Para o presidente da FEC Bahia, novas tecnologias devem servir para melhorar a vida da classe trabalhadora da população em geral. “No comércio, precisa beneficiar os comerciários e as comerciárias, além dos clientes. Se há intenção de inovar, é importante ouvir especialistas e quem está no dia a dia, observando as necessidades dos clientes. Isso para que a inovação seja boa para todos”, enfatiza.

Jairo destaca a importância da redução da jornada de trabalho. “Com as novas tecnologias, é possível se produzir o mesmo serviço em menos tempo. A redução da jornada (de 44 para 40 horas), propicia a geração de mais empregos, mais consumo, mais renda, mais saúde para a categoria e mais produtividade nas empresas”, destaca.

O último estudo sobre redução de jornada e geração de emprego foi feito pelo DIEESE, em 2007, com base em 2005. Basta usar a mesma metodologia para hoje. Naquele ano, eram 22.526.000 pessoas com contrato de 44 horas de trabalho (dados da Rais, do Ministério do Trabalho e Emprego). Diminuindo quatro horas de trabalho de cada uma delas, chegou-se a 2.252.600 novos empregos. A conta é: 22.526.000 x 4 /40 = 2.252.600.

com informações do Mercado & Consumo e Dieese

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