População sente o peso dos preços apesar da inflação baixa

População sente o peso dos preços apesar da inflação baixa
De acordo com pesquisa Ipec, 46% consideram ruim ou péssimo o desempenho da política antinflacionária

Com Informações do Tribuna da Bahia

A inflação, sempre ela, a assombrar os governantes. Toda vez que ela sobe cai a popularidade e isso ficou assim desde o Plano Real, há 30 anos, fim de um processo em que o brasileiro desenvolveu uma rejeição completa ao descontrole de preços. O problema agora é mais misterioso. A inflação está baixa, o índice caiu durante o governo Lula, e mesmo assim 46% consideram ruim ou péssimo o desempenho da política antinflacionária, segundo a pesquisa Ipec divulgada no domingo pelo jornal O Globo. A explicação de que os preços dos alimentos subiram não é suficiente, porque eles já começaram a ceder. E só 23% acham bom ou ótimo o desempenho do governo no combate aos preços altos.

A virada do ano e os primeiros meses sempre atingem preços de verduras, frutos e alguns alimentos, e desta vez a sazonalidade foi piorada pelo fenômeno climático do El Niño. Mas a alta de alimentos que foi muito forte em janeiro vem numa trajetória de redução. Não é como no ano passado que houve deflação de alimentos, mas o cálculo é o de que a inflação de alimentos deve ficar em torno do índice geral, por volta de 3,5%.

Com percepção não se discute. Se essa é a percepção do consumidor entrevistado pelo IPEC, o que cabe a todos é tentar entender. Mas o mistério é ainda maior, porque a renda cresceu, houve aumento de benefícios aos mais pobres, e o emprego está em alta. Tudo isso deveria dar um conforto econômico. Mas o fato é que a política está sendo reprovada.

O que o governo não pode fazer é se apavorar com isso e tentar alguma medida artificial de queda de preços. Uma já está em andamento com o combustível. O pior cenário foi afastado no Oriente Médio, por enquanto, mas o dólar e o petróleo estão em níveis mais altos do que estavam meses atrás e o preço na bomba não foi reajustado.

Dos entrevistados pelo IPEC, 79% dos entrevistados acham que os preços dos alimentos subiram. Mas o índice oficial da inflação registrado pelo IBGE mostra que os alimentos estão subindo menos. Em março de 2023, o grupo Alimentação e Bebidas registrava alta de 7,29%. No mesmo mês deste ano, ficou em 3,10%.

A questão é que, na ida do supermercado, de um mês para o outro, o consumidor realmente sentiu a diferença em alguns itens. Em março, encontrou a cebola com preço 14,34% mais caro do que em fevereiro, assim como o tomate (9,85%) e o ovo de galinha (4,59%). E isso assusta.

O economista Fábio Romão, da LCA consultoria, explica que os preços para o produtor devem ter ainda uma aceleração em abril, por volta de 1,11%, pelas altas de soja, mandioca, tomate, cacau, café e mamão, bem como pelas quedas menos intensas de milho, batata-inglesa, arroz, uva e bovinos.

Na gôndola, o alívio mais generalizado deve começar a ser sentido em maio e a previsão é de uma inflação baixa até o final do ano, sobretudo em junho e julho, afirma ele.

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