Brasileiros gastaram 19,7% a mais nos supermercados em 2023

Brasileiros gastaram 19,7% a mais nos supermercados em 2023
O tíquete médio das compras, antes de R$ 104,69, chegou a R$ 125,34

Com informações do A Tarde

Se tem uma coisa que, entra ano e sai ano, continua representando uma parte significativa do orçamento das famílias é o carrinho de supermercado. E, no ano de 2023, ele ficou mais cheio e passou a custar mais para os consumidores. Uma pesquisa realizada pela Neogrid, um ecossistema de tecnologia e inteligência de dados, apontou que os brasileiros gastaram, no ano passado, 19,7% a mais nos supermercados quando comparado ao ano anterior. O tíquete médio das compras, que antes era de R$ 104,69, chegou a R$ 125,34. Os números mostram um movimento de retomada do consumo na economia brasileira, mas também os impactos da inflação nos produtos.

Head de produtos da Horus, marca da Neogrid responsável pelo mapeamento, Roberta Atherino explica as causas desse aumento nas compras. A retomada do consumo, segundo ela, é um dos fatores que contribuíram para essa mudança. E ela foi impulsionada por outras iniciativas e indicadores econômicos, como o reajuste do salário mínimo, programas de transferência de renda e principalmente a queda na taxa de desemprego – que saiu de 9,6% em 2022 para 7,8% em 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Esse cenário causa impacto direto na cesta do consumidor, que, em 2023, aumentou a quantidade de produtos no carrinho de 14,5 para 17,5 itens, impulsionando seu gasto médio […] Vimos esse comportamento em praticamente todas as cestas de bens de consumo de alto giro. No entanto, a contribuição do aumento do volume foi mais expressiva nas cestas de alimentos industrializados e bebidas”, aponta Roberta.

Em contrapartida, com outros itens, o que mais influenciou o salto no valor da compra não foi o maior volume de produtos, mas sim a variação no preço deles. Nestes casos, os vilões na cesta foram os itens de hortifruti. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da batata-inglesa, por exemplo, fechou o ano com uma variação de 19,09% no preço. As frutas aumentaram 3,37%, já o feijão-carioca e o arroz, 13,79% e 5,81% respectivamente.

“Apesar do cenário de redução de preço de alimentos em 2023, com o IPCA registrando uma queda acumulada de 0,52%, a cesta de foi penalizada em função de questões climáticas, resultando no aumento do preço de frutas, legumes e verduras, impactando assim, o consumo desses produtos”, explica Roberta, destacando a redução de 13,7% na quantidade desses itens nos carrinhos do consumidor. Produtos de limpeza, higiene e beleza, como o amaciante e o papel higiênico, também foram, de acordo com ela, impactados pela alta de preço.

Na casa da confeiteira Luana Sousa, de 27 anos, a conta do supermercado ficou mais cara. Mas, no caso dela, o número de itens, comprados a cada mês para recompor a despensa doméstica e a cada semana para as encomendas de sua confeitaria, não aumentou, ao contrário: diminuiu.

“Os preços estão muito mais caros e as embalagens diminuindo. No final das contas, estamos comprando menos e pagando mais caro. A nossa saída é não comprar, porque não tem condições, ou ficar de olho e esperar uma promoção”, conta a confeiteira.

A pesquisa da Neogri também analisou as promoções feitas por quase 150 redes em 2023 e apontou que a mercearia foi a seção mais contemplada pelas promoções. Entre os itens que mais tiveram campanhas de desconto estão o café, o óleo de soja, a margarina, o leite condensado e o creme de leite. Entre as carnes, o filé de peito de frango foi a opção mais ofertada, segundo o mapeamento.

Frutas da estação

Para contornar os preços da seção de hortifruti, a estratégia de Luana é priorizar as frutas e verduras da estação e diminuir a quantidade. “Outra estratégia que me ajuda é comprar em atacado, acaba saindo mais barato. E sempre em supermercado mesmo. Às vezes, me pergunto como as pessoas conseguem comprar no varejo, em mercadinho de rua, porque se no atacado já está assim, imagine nesses lugares”, afirma.

O que, na verdade, mais tem assustado ela é o preço do azeite de oliva, que, em 2022, podia ser achado por R$ 20 ou R$ 25 e um ano depois chegou a R$ 40. E o que mais pesou no orçamento da confeiteira foi o leite. De acordo com ela, a caixa de um litro, que costumava sair por R$ 4,70 já foi achada por R$ 6,00. Junto com os seus derivados, o leite é um dos itens mais utilizados nas encomendas de Luana.

Por outro lado, alguns itens ficaram mais baratos em 2023. Roberta cita como exemplo alimentos industrializados e bebidas. “Importantes produtos da cesta básica tiveram queda nos preços impactados pela redução no valor de algumas commodities, como a soja. A queda no preço de carnes e aves motivada pelo aumento da oferta no mercado também impulsionou o consumo de proteína animal, depois de, nos últimos anos, esses alimentos terem sido substituídos por opções mais baratas, como o ovo. O valor do quilo da carne bovina sofreu uma redução próxima a 10%, contribuindo para o aumento da presença desse produto na cesta do consumidor em mais de 3 pontos percentuais”, afirma.

Mas as queixas de Luana têm um motivo. É o economista e professor na Universidade Ages Augusto César Santiago Teixeira que aponta: as compras em supermercado representam uma grande fatia da renda da população baiana em condições financeiras menos favorecidas.

Lista de compras

Para que as compras não pesem ainda mais no orçamento doméstico, a dica do professor é usar como guia no supermercado uma lista com as necessidades e ser fiel a ela na hora de encher o carrinho. Mas só isso não basta. O professor orienta também seguir um planejamento de gastos e comprar apenas no cartão à vista, para pagar no vencimento e sem pagamento mínimo.

“Se alimentar antes de ir às compras, evitando lanchar, almoçar no supermercado também é uma dica. E evitar levar crianças às compras, pois normalmente [com elas] compramos além da lista”, aconselha.

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