MANOBRA PATRONAL ADIA VOTAÇÃO SOBRE ESCALA 6×1 ENQUANTO TRABALHADORES ADOECEM SOB A JORNADA EXAUSTIVA
O adiamento da votação do projeto que prevê o fim da escala 6×1 escancara, mais uma vez, o peso da pressão patronal sobre o Congresso Nacional e o desrespeito com milhões de trabalhadores brasileiros. A proposta, que representa uma das principais pautas da classe trabalhadora em 2026, foi travada por articulações de setores empresariais que atuam para impedir avanços históricos nos direitos laborais.
De acordo com informações divulgadas recentemente, representantes de associações comerciais chegaram a admitir abertamente a estratégia de barrar a votação, que foi mais uma vez adiada para semana que vem.
A manobra ocorre justamente quando o tema ganha força nacional. O fim da escala 6×1, modelo que impõe seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso, já é reconhecido como prioridade pelo governo federal e por diversos parlamentares. A proposta busca reduzir a jornada semanal, sem redução salarial, garantindo mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida.
Além disso, há uma crescente pressão social e política para que o Congresso avance na pauta. Integrantes do governo já alertaram para a possibilidade de envio de um projeto em regime de urgência caso continue a “estratégia de enrolação” por parte do Legislativo.
Para o Sindicato dos Comerciários de Salvador, o adiamento não é técnico, é político. “Trata-se de uma tentativa de ganhar tempo e enfraquecer uma pauta que beneficia diretamente a classe trabalhadora. Enquanto isso, milhões de brasileiros seguem submetidos a jornadas exaustivas, que impactam a saúde física e mental e limitam o direito ao lazer, à convivência familiar e à própria vida fora do trabalho”, disse Renato Ezequiel, presidente do Sindicato.
Estudos e propostas em debate apontam que o fim da escala 6×1 pode beneficiar dezenas de milhões de trabalhadores, promovendo um novo padrão de organização do trabalho no país. Ainda assim, setores empresariais insistem em barrar o avanço, repetindo um padrão histórico de resistência a direitos trabalhistas.
O sindicato reafirma que não aceitará retrocessos nem manobras que impeçam o debate democrático. É urgente que o Congresso cumpra seu papel e coloque em votação uma proposta que representa dignidade, saúde e justiça social.
“O fim da escala 6×1 é mais do que uma mudança na jornada de trabalho, é uma questão de respeito à vida”, pontuou.
