Sindicato analisa impactos do comércio informal sobre o comércio formal

A crise da pandemia e o desemprego crescente (14,4 milhões de pessoas) jogam, cada vez mais, milhões de brasileiros na informalidade. Pessoas que tinham profissões badaladas, hoje dirigem Uber e outras, trabalham como ambulante para sobreviver.

As ruas das cidades, com bancas de camelôs, são verdadeiros shoppings a céu aberto. Se vende de tudo em uma só avenida, desde frutas, verduras e até eletrônicos, calçados e roupas, entre outros produtos. Quem é comerciário, vivencia cotidianamente a concorrência com o comércio informal que vende os mesmos produtos existente na loja aonde trabalha.

“Trata-se de um problema político, econômico e social, que precisa ser tratado com muita atenção pelos poderes públicos: prefeituras, governos estaduais e, principalmente, o governo federal, que fica com 70% da arrecadação dos impostos recolhidos”, afirma Renato Ezequiel, presidente do Sindicato dos Comerciários.

Segundo o dirigente, as pessoas não vão para a informalidade porque querem, mas para sobreviver e sustentar suas famílias. “A pandemia deixou mais difícil para muita gente encontrar oportunidades de trabalho, dependendo de parentes e amigos. Seguramente, todos gostariam de trabalhar com direitos assegurados”, enfatiza.

CARACTERÍSTICAS

Dados de uma pesquisa realizada pelo IBGE e o Sebrae, revelam que somente 8,8% da economia informal é praticada nas ruas. A maior parte é desenvolvida em residências (27,3%) e na casa do cliente (27,5%). O setor atrai consumidores pelos baixos preços dos produtos, visto que alguns (CDs, DVDs, roupas, programas, jogos de computador etc.) originais são mais caros. Também impacta o Produto Interno Bruto (PIB), pois muitas mercadorias são fabricadas e vendidas sem pagar impostos.

CAMINHOS

Tratar essa questão requer vontade política. É essencial entender que é a única alternativa para a obtenção de renda de boa parte da população. Ao mesmo tempo, se faz necessário implantar políticas que fortaleçam o comércio formal.

Para o presidente da Federação dos Comerciários no estado (FEC Bahia), Reginaldo Oliveira, o primeiro passo é o País ter um plano estratégico de desenvolvimento e crescimento econômico para gerar empregos e fazer muita gente que está na informalidade voltar ao mercado de trabalho. “É importante fazer uma reforma tributária justa, que garanta condições de permanência das micros, pequenas e médias empresas, responsáveis por mais da metade dos empregos gerados no Brasil”, defende.

De acordo com o sindicalista, é importante facilitar o acesso a crédito para as empresas. “Reduzindo a burocracia e as exigências, muitas vezes absurdas. Isso impede a obtenção de um dinheiro que ajuda para ter capital de giro, pagar fornecedores e tributos, além de contratar funcionários”, pondera.

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