Fim da escala 6×1: Estudo do Ipea mostra que redução de jornada não gera prejuízos

Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que reduzir a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas teria um impacto nos custos das empresas similar ao observado em reajustes históricos do salário mínimo, como os de 12% em 2001 e 7,6% em 2012, sem impactos negativos comprovados.

Segundo a nota técnica divulgada em 10 de fevereiro, a redução da jornada elevaria o custo médio da mão de obra celetista em cerca de 7,8%, calculado pela divisão do salário pela quantidade de horas trabalhadas. Entretanto, quando esse aumento é ponderado dentro do custo total da operação das empresas, o impacto nos grandes setores como indústria e comércio seria inferior a 1%.

Para o setor supermercadista e de varejo, que emprega milhões de comerciários no Brasil, isso sugere que a maior parte das empresas teria capacidade de absorver a mudança sem redução de empregos ou perda de competitividade.

O estudo também aponta que jornadas mais longas — como as de 44 horas semanais — estão associadas a menores salários relativos e menor escolaridade, evidenciando uma desigualdade no mercado formal de trabalho. A maioria dos trabalhadores com jornada estendida está em ocupações de remuneração mais baixa, especialmente nos setores de comércio e serviços.

Segundo os pesquisadores, reduzir a jornada máxima poderia contribuir para diminuir essas desigualdades, já que as jornadas longas predominam em atividades com menor reconhecimento formal e maiores taxas de rotatividade.

 

Qualidade de Vida e Saúde do Trabalhador

Além dos aspectos econômicos, o Ipea ressalta que a redução da jornada pode trazer benefícios sociais importantes, como melhora na qualidade de vida, mais tempo para atividades de cuidado e possíveis efeitos positivos na saúde da população trabalhadora, fatores que não são capturados nas análises puramente econômicas de custo.

Para o Sindicato dos Comerciários de Salvador, esses dados indicam que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho merece atenção e participação ativa da classe trabalhadora para pressionar pela aprovação da proposta no Congresso.

“Está mais do que provado que a redução de jornada sem redução de salário não tem impacto negativo algum. Por isso vamos intensificar a luta para conquistar esta vitória e acabar com a escravização no mercado de trabalho”, disse Renato Ezequiel,  presidente do sindicato.

Veja a nota técnica do Ipea!

NT_Disoc_123_Mudancas_na_jornada_e_na_escala_de_trabalho

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