Podcast debate desafios da categoria no cenário político e econômico

Uma avaliação dos desafios da categoria comerciária diante do cenário político e econômico atual foi o tema do sexto episódio do Comerciári@s_Pod, nesta quinta-feira (14). O presidente do Sindicato, Renato Ezequiel debateu o tema com a economista e supervisora técnica do Dieese na Bahia, Ana Georgina Dias. A mediação foi da jornalista Antônia Correia.

Na abertura, Ana Georgina falou sobre o primeiro ano do governo Lula. “A mudança de governo mudou o cenário para melhor. Destacamos a queda na taxa de desemprego para 7,7%, a redução da inflação e das taxas de juros, crescimento econômico melhor, que deve fechar o ano acima de 2,8%, além da política de valorização do salário mínimo, que ajuda a melhorar demais salários. São pontos positivos para projetar 2024”, afirmou, destacando o papel importante da categoria comerciária para fazer a economia crescer.

Renato Ezequiel ressaltou que a taxa de juros estava muito alta, prejudicando a economia, as micros e pequenas empresas, e a geração de empregos. “Se estivesse ainda mais baixa, ajudaria a termos um cenário ainda melhor. De toda forma, estará mais favorável à luta das categorias e seus sindicatos”, destacou.

Completando, Ana Georgina lembrou que as reduções feitas pelo Banco Central (BC) aconteceram após o presidente Lula e empresários protestarem. “Juros altos reduzem investimentos, trava o crescimento da economia e dos empregos. Esses juros remuneram a dívida pública e o dinheiro vai para os rentistas, que terão mais lucros. Esse é um problema do BC independente, pois pode fazer uma política monetária contrária ao projeto implantado pelo governo. Mas, o governo conseguiu aprovar a PEC da Transição, redefinindo o orçamento e melhorando os valores do Bolsa Família, que vão para o consumo das famílias, que compram no comércio. A maior parte da arrecadação de impostos é sobre o consumo”, explicou.

DINHEIRO NO BOLSO

Segundo Renato, economia forte é com dinheiro na mão do povo e dos trabalhadores. “Por isso, os reajustes entram no bolso dos trabalhadores e voltam para a economia, especialmente para o comércio.

REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

Outro tema abordado foi a aprovação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, do projeto que permite a redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, por acordo. “É um sinal positivo. Os comerciários têm uma das jornadas mais extenuantes. Foi um primeiro passo. Temos que ver a vida além do trabalho, observando família, estudo, formação. Será importante muita luta, pois a correlação de forças no Congresso é desigual (tem mais representantes dos empresários)”, pontuou.

Renato Ezequiel falou da Portaria dos feriados e da desoneração da folha. “Setores da imprensa distorceram fatos para impedir avanços. Por isso, os trabalhadores devem ficar atentos. Elegemos um presidente avançado, mas temos um Congresso conservador. Temos que participar mais da política”, defendeu.

Ana Georgina lembrou que, até 2021, a abertura do comércio aos domingos e feriados era por acordo. “A negociação ajuda a equilibrar essa relação desigual. É justo que trabalho em dias especiais (diferente do trabalho na semana) seja remunerado e tenha regras. E por acordo é melhor e mais justo. Se é bom abrir o comércio em dias especiais, é importante ter regulamentação”, enfatizou.

DESONERAÇÃO DA FOLHA

A supervisora do Dieese ponderou que estudos do órgão não constataram evidências que houve mais contratações pelas empresas beneficiadas pela desoneração. “Sem contar que reduziu recursos para a Previdência. Se não gerou emprego, ficou como lucro para as empresas. Tem setores com muitos acidentes de trabalho e a desoneração tirou dinheiro da Previdência, que ajuda muito. Usar recursos públicos para garantir a desoneração para quem não trata bem os trabalhadores é injusto. Se deixar de arrecadar, o governo deixa de fazer muitas políticas sociais”, disse.

Renato ressaltou que “muitos trabalhadores estão adoecendo com pressão de metas, cobrança para vender garantia estendida e seguros, gerando vários problemas sociais. Tirar recursos da Previdência nessas circunstâncias é absurdo”.

Para Ana Georgina, o trabalho é importante e não pode ser fonte de tristeza e adoecimento. “Tem ainda o deslocamento difícil para o trabalho, salários muito baixos e cobrança. Além da tecnologia: o comércio online reduziu postos nas lojas físicas e quem fica, tem trabalho dobrado. A redução da jornada é importante para reverter essa situação”, enfatizou.

TRABALHO TEMPORÁRIO

Com as festas de fim de ano, muita gente desempregada vive a expectativa do trabalho temporário no comércio. “Essa geração de emprego é precarizada. Tem empresas que falam em pagar por horas trabalhadas, pela forma intermitente. E tem empresas pedindo para fazer acordos com jornadas menores e remuneração menor. Mas, o sindicato não aceita”, frisou e perguntou a Georgina sobre as perspectivas das negociações para 2024.

A economista fez projeções positivas. “Esse ano observamos mais de 78% das categorias conseguindo reajustes acima da inflação. Tem acordos com mais ganho real, fazendo o salário comprar um pouco mais. Para o ano que vem, o ganho real do salário mínimo será de 2,89%, definido pela política de valorização do governo Lula. Bons reajustes vão ajudar muito a economia e o comércio”, apontou.

MENSAGEM

Ao final, Ana Georgina agradeceu o convite ressaltando que o podcast é importante. “Informação é poder e o sindicato é o instrumento da classe trabalhadora para ter reajuste e direitos importantes. O Dieese está à disposição”, disse.

Renato Ezequiel desejou muita força e muita garra para a categoria. “Participem das nossas atividades. Sindicalize-se e fortaleça a nossa luta em 2024, para que possamos assinar uma boa Convenção Coletiva de Trabalho”, conclamou.

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